Quando fui convidada para ministrar a palestra com o título acima para empresários de pequenas e médias empresas, no mês passado, foi um desafio, pois, o segredo da motivação é o “santo graal” que todo líder empresarial gostaria de encontrar. Frase de Bob Nelson em seu livro “1001 Maneiras de Premiar seus Colaboradores”, que apresenta uma pesquisa muito interessante sobre a associação entre reconhecimento e recompensa, que norteou minha exposição e que desejo compartilhar.

Comecei a palestra interagindo com os participantes, perguntando sobre os maiores desafios que enfrentavam para manterem suas equipes motivadas, e obtive muitas respostas excelentes como premiações por metas, viagens, benefícios por tempo de serviço, incentivo no pagamento de faculdades e cursos. Todas são maneiras plausíveis de premiar as pessoas pelo seu desempenho.

Na verdade, ninguém motiva ninguém, mas pode desmotivar, porém, a liderança pode influenciar, e muito a motivação de seus colaboradores. Todas as pessoas querem ser reconhecidas, é uma necessidade humana, precisamos nos sentir valorizados.

Desde a década de 1950, Abraham Maslow, querendo entender a natureza humana, desenvolveu a hierarquia das necessidades da mais básica a mais elevada: a realização pessoal. Esta, quando satisfeita, faz com que a pessoa não seja mais movida pela necessidade de se afirmar, ficando livre de qualquer dependência externa.

Porém, para ser assertivo, diante de tantas formas de premiar as pessoas, o líder deve conhecer bem sua equipe, para recompensar o colaborador com algo que realmente ele apreciará, e a melhor forma ainda é perguntando para o membro da equipe quais as formas que se sentiriam reconhecidos ou recompensados, uma vez que a motivação tem se mostrado cada vez mais pessoal e situacional, o que serve para um não serve para todos.

Tenho um exemplo de uma loja em que os proprietários imaginaram que uma boa premiação pelo atingimento das metas para os vendedores, seria oferecer o convite com acompanhante para um jantar dançante, muito bem frequentado pela alta sociedade local, cobiçado e tradicional na cidade. Foi um fiasco, pois, as vendedoras acharam a proposta interessante, mas não as empolgou, pois, muitas não teriam dinheiro para uma roupa elegante para elas e para os maridos, algumas nem carro tinham, além de não curtirem o tipo de música, ou seja, ninguém queria levar o presente de grego.

O reconhecimento por um trabalho bem-feito é o maior motivador de desempenho, de acordo com o autor. Ainda que o dinheiro seja importante para as pessoas, a motivação é muito mais forte quando o reconhecimento desperta emoção e realça um profundo sentido de valor, respeito e fornece uma história que o colaborador possa contar à família, aos amigos, talvez por muitos anos.

O elogio é um simples comportamento diário que qualquer gestor pode adotar. Porém, o líder precisa estar atendo à sua equipe para flagrá-los fazendo coisas boas, para fazer o elogio ou reconhecimento pelas atitudes de forma imediata, de preferência em público. O melhor elogio é feito pessoalmente, na hora, de maneira específica, de modo proativo. A palavra reconhecimento refere-se a algo intangível, como um elogio, já a premiação traduz algo tangível. Motivar é entusiasmar, é reconhecer as necessidades de cada um e encorajá-los a partir disso.
Se um líder perceber que seu colaborar está um pouco agitado naquele dia e a causa é que irá fazer uma prova mais tarde, dependendo da autonomia da liderança, poderá liberá-lo mais cedo para estudar um pouco mais e se sair bem, por exemplo. Infalivelmente, quando precisar de algo desta pessoa, ela mesma agirá prontamente, gerando uma espécie de “corrente do bem”.

Reconhecer e recompensar ações e atitudes motiva quem foi reconhecido e estimula a equipe a compartilhar o que deu certo, além de reforçar a autoestima.

Bolso, cabeça ou coração? As empresas que não pensam em gente, não tem gente pensando nelas.

Fonte: http://www.panoramadenegocios.com.br/2014/03/coluna-da-professora-rosa-perrella.html